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Caminhada

Cume Principal dos Castelinhos

Santo Aleixo · PNSO, Magé, RJ, Brasil

Classificação do percurso

Pesada · lance I

ClassificaçãoPesadaDe 6 a 8 h · até 24 km · 800–1200 m (+) e 1200–2000 m (−) · muitos ou grandes obstáculos · piso irregular, com trechos em que é preciso usar as mãos
Exposição ao riscoSeveroProbabilidade média de lesões de gravidade moderada a alta
OrientaçãoDifícilSem sinalização, muitas bifurcações, trechos de mata fechada ou laje com traçado tênue. Exige mapa e bússola ou GPS
InsolaçãoMédiaDe 33% a 66% do caminho com exposição ao sol
Tipo de percursoTrilhaIda e volta pelo mesmo caminho
Lance de escaladaItrecho técnico, na notação da escalada

Como registrado na fonte: Pesada com lance de 1 grau

Data da conquista
24 de agosto de 2015
Percurso
Duração
Desnível
2.251 m (+) / 1.447 m (−)

Fotos

Tracklog do percurso

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Distância
15,8 km
Ganho
2.251 m
Perda
1.447 m
Altitude mín.
149 m
Altitude máx.
1.450 m

Perfil de elevação

14980014500 m3,6 km7,1 km10,7 km14,3 km

O percurso

- Comentários: Partimos do Rio de Janeiro com um certo atraso. Thiago pegou no sono e acordou com o porteiro interfonando a nossa presença na portaria. Saímos por volta das 7 h. Paramos para tomar o café da manhã na padaria nova de Andorinhas. Estacionamos num larguinho da Rua Cabo Frio. Que por ser de terra sofre com a falta de manutenção. Redistribuímos o peso e colocamos a mochila cargueira prontos para mais uma aventura. Não tivemos oportunidade de elaborar alguma logística. A única coisa que acrescentamos foram os estribos. Subimos e encontramos o filho de Seu Antonio pelo caminho. Ele está morando ali perto. Mais adiante encontramos Seu Antonio acamado. Acometido por uma crise de artrose que o privou de caminhar. Usando bengala mal conseguiu sair de casa para nos receber. Até os cachorros antes tão agressivos agora pareciam apáticos. Castelinhos são um conjunto de espigões (torres) que permeiam uma crista do lugar. Da estrada Rio x Teresópolis um pouco depois do posto da polícia federal surge a crista e seus pontões de pedras. Vem logo a mente a emenda da crista do Alto das Nuvens. A dúvida que nos instigava se haveria ligação possível. A passagem era por ali. Daqui do asfalto parece tão intangível. Seu Ademir caseiro do último sítio nos recebeu mais uma vez entusiasmadamente. Entregamos as fotos, que o Thiago tirou do cume, impressas. Ficou surpreso por termos atendido um pedido seu. Estava limpando o terreno cujas margens estavam cheias de amoreiras com frutos ainda verdes. Trocamos algumas palavras e recomeçamos a caminhada. Muitos pontos de água estavam secos. A estiagem assola o Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Passamos pelo local onde outrora havia uma armadilha fotográfica, colocada pelos biólogos da UFF, para monitorar a existência de mamíferos de grande porte no local fora removida. Como sempre ao deixarmos a trilha das Duas Vertentes através picada para gruta torna-se imprecisa. Há momentos bem marcada e outros em que some completamente. Por estarmos pesados na ida sempre deixamos para melhorar na volta. E invariavelmente na volta estamos bem cansados para ainda marcarmos alguma coisa. Bivacamos na gruta que na outra vez estava surpreendentemente limpa e convidativa. Agora estava muito melhor. Havia um banco/sofá, varal e espuma para cama. Um par de enormes chinelas de dedo estavam me esperando. O lixo fora queimado. Alguém além de nós tem dormido ali. Há mais panelas, lamparina, querosene, lenha e até sortimentos. Há um rio maravilhoso próximo. Cujas águas da cachoeirinha baixaram tanto que os cascudos ficam amostra. Dá pena usarmos para banho com eles ali. É extremamente gelada pois um vento sopra pelo vale. Parece que abriram a porta da geladeira. Do outro rio mais largo e bem seco escorria um filete de água. Só retornamos agora pois nossos estimados companheiros: Filipe e Thiago estavam em terras distantes. Foi uma longa espera recheada de ansiedade para conquistarmos o cume mais alto. Chegamos à gruta um pouco tarde mas ainda assim fomos fazer o cume da Agulha dos Italianos. O tempo encoberto e as nuvens baixas não iriam nos afastar do cume. Desmontamos a mochila e pegamos a de ataque. Saímos do conforto da gruta à direita. Atravessamos o rio da Cachoeirinha e subimos por uma crista acidentada entre os dois rios. Quando começa a ficar larga e boa temos que ficar atentos para sairmos à direita em direção a outra cachoeirinha. Atravessando as pedras chegamos próximos a base da encosta da Agulha. Uma breve mata cede espaço a clúsias e bromélias gigantescas numa inclinação acentuada. No cume além da vitória por estar ali um mar de nuvens nos envolve. Após os cumprimentos Thiago faz um pequeno e reforçado lanche. Filipe e eu vamos descendo devagar. Na cachoeirinha aguardamos a aproximação de Thiago e partimos. Sem acendermos as lanternas chegamos juntos à gruta com uma bela lua despontando. Berardi ficara na gruta dando um jeito no nosso bivaque. Sou recebida com um delicioso café feito na cafeteira italiana. Ele sabe mimar uma pessoa. Filipe vai limpar um pouco a sujeira. Thiago prefere guardá-la para o último dia. Não resisto ao cheiro bom da comida e antes de tomar banho vou jantar. A polenta com carne moída estava deliciosa. Ponho pouca comida para repetir se estiver gostosa. Repeti duas vezes não sobrou nada. Devidamente ensacados olhamos para a copa das árvores. A luz do luar e o pisca pisca das estrelas nas folhas parecem transformá-las em rendas. A gruta é compartilhada pelos habitantes costumeiros: diminutos anuros. Um amanhecer incandescente avisa a chegada do astro rei. Nos arrumamos logo e em breve estamos a caminho. A trilha começa à esquerda da gruta. Segue por uma crista em direção ao colo. Andamos até encostarmos nos dois paredões: a frente o da Agulha dos Italianos e do esquerdo ao do Alto das Nuvens. Ali sobe-se por uma laje escorregadia (dessa vez absolutamente seca e com aderência) agarrando-se a bulbos e clúsias. Costumamos colocar uma cordinha de doze metros. Ali costuma ser nosso último ponto de água. Sabiamente saímos do acampamento já com a água. A nascente estava completamente seca. O relevo do do paredão não nos permite criar, logo, estamos na mesma trilha de cinco anos atrás. A vista do Alto das Nuvens é deslumbrante. A vista com aquela luz é de cegar qualquer montanhista! Na Agulha dos Italianos não é assim. Observamos o imenso bloco de pedra que une a crista dos Quatis ao Alto das Nuvens. Thiago ambicioso já diz logo que vai subir aquela também. Como não posso ficar atrás, pois represento as mulheres, terei que fazer também. Passamos sem parar no cume do Alto das Nuvens e diretamente nos dirigimos ao primeiro obstáculo. Ao contrário da outra vez temos vista o tempo todo. Mesmo nos breves trechos de mata podemos ver a frente nosso desafio. Não há como escondê-lo: ele é um belíssimo cume. Que espigão! Graças a estiagem a vegetação cede com facilidade. Chegamos a laca. Guardiã do material de grampeação em perfeito estado desembrulhamos e checamos se está tudo certinho. Filipe sai na frente. Resolve proteger a saída encaixando um piton numa fenda. Cavalheiro manda eu passar a frente e fazer o lance. Na realidade eu não iria entrar daquela forma: em pé segurando na garra acima da minha cabeça e costurando o piton. Pensei em sentada na laca passar a perna para a canaleta de terra. Fiz o que me orientou e com cuidado subi pela vegetação ressequida e frágil. Passei a corda na árvore e fixamos a outra ponta numa árvore abaixo. Formando um corrimão. Esperei a ascensão dos dois e na base da pedra discutimos como superar mais esse obstáculo. Filipe pensando no futuro da via começou a bater um grampo. Thiago alternou com ele. Como colocaram muito alto não alcançaria. Resolvi fazer vídeos dos dois. O que os deixou um pouco irritados. Berardi vem chegando e traz meu boné. Agora é minha vez de orientar. Filipe sobe por onde eu faria se não houvesse grampo: pela pequena língua de mata da esquerda. Jogou a outra corda para subirmos. E finalmente fazemos o cume mais alto dos Castelinhos. Que beleza! Foi mais fácil do que pensava. Inúmeras fotos são tiradas. Está bem quente e a vista é estonteante. Epa tem mais um pontão! Como o canto da Iara nos enfeitiça e quando vemos já estamos elaborando juntos uma estratégia. Removemos a corda e fixamos numa arvoreta. A descida deve ser cautelosa. Não pode haver erros. Pois é precipício em ambos os lados. Quando chego a base da pedra começo a entalar para escalar. Para o meu deleite há um platô que protege a ascensão. O cume é estreito e totalmente em pedra. Os bravos conquistadores vem carregando pedras para um belo totem. Este á a prova que estivemos nesse inóspito e remoto cume. No mais alto deixamos uma urna de cume. E no da ponta Oeste, conquista de maio, também tem outra. No cume do Alto das Nuvens já estávamos racionando água. Berardi e Filipe iniciaram o retorno. Eu por minha vez depois de relaxar com a conquista estava numa preguiça só …Thiago já estava a caminho da pedra que liga a crista dos Quatis. Tive que me adiantar para me juntar a ele. Embora sejam cumes próximos ali é um mirante com ângulo diferente. Parece cercado de abismos. Do Alto das Nuvens descemos até um colo. Vamos contornando a pedra pela esquerda até uma subida viável. Thiago batiza como Mirante do Alto dos Ventos. Que fim de tarde glorioso! A única coisa ruim era tomar banho naquela água gelada com o vento cavernoso. É um banho de água fria congelante. Horrível! Mal dá para nos limpar é só a sensação de se livrar da terra. Mais uma vez Berardi foi o cozinheiro: macarrão com linguiça. Sempre muito bem acompanhado de um bom vinho. Mais tivesse. Momentaneamente uma tristeza tomou conta. Era a última vez naquele lugar com os meus bravos companheiros. Acabou as subidas com a cargueira fazendo piadas. As voltas do trajeto elaborando projetos de retorno. Seu Antonio, Seu Ademir, os cachorros, a beleza assombrosa do rio de águas transparentes. Atingimos nosso objetivo resta-nos procurar novas paragens e desafios em algum lugar dessas serras. O amanhecer foi coberto de nuvens. Uma frente fria aproximava-se. Thiago desceu na frente para o tão merecido banho. Ao pegarmos a estrada uma chuva fininha começava a cair.

Observações

Fonte / código de biblioteca: 3885

Registrado em 01 ago 2026 · última revisão em 18 ago 2026. Acervo do Centro Excursionista Brasileiro.