Pico do Diabo
Pico do Diabo · Tinguá, RJ, Brasil
Classificação do percurso
Pesada · lance IIIsup
Como registrado na fonte: Caminhada Pesada com lance de 3º sup E3 D4
- Data da conquista
- 4 de maio de 1946
- Percurso
- —
- Duração
- —
- Desnível
- 610 m (+) / 603 m (−)
- Conquistadores
- Arlindo Dias PaesManoel Luiz de Barros
Fotos
Tracklog do percurso
Baixar Tracklog- Distância
- 4,9 km
- Ganho
- 610 m
- Perda
- 603 m
- Altitude mín.
- 813 m
- Altitude máx.
- 1.344 m
Perfil de elevação
O percurso
Texto extraído do Boletim Mensal número 125 junho de 1946
A CONQUISTA DO PICO DO DIABO
Localisado em posição paralela ao Pico Grande do Tinguá, o Pico do Diabo, nome dado pelos seus conquistadores e pelos moradores das re-dondezas, que dizem ser a morada do diabo e ser impossível escalá-lo, ergue-se com sua beleza arrogante, desafiando a coragem do homem. Conservando-se virgem, através de milhares de anos, a imensa massa granítica foi agora subjugada por uma turma pertencente ao quadro social do Centro dos Excursionislas, que com esta conquista entregam aos nossos montanhislas mais uma montanha que irá juntar-se as inúmeras existentes no Estado do Rio. Durante lôda a semana o grupo chefiado pelos montanhistas Arlindo Dias Paes e Manoel Luiz de Barros, com a colaboração dos companheiros Nilo Pimentel e Tarcy Fernandes da Silva, organizaram a excursão de exploração que deveria ter início no sabado. Tal como tôra previsto, sábado a tarde depois de preparado todo o ma-lerial técnico necessário a tal empre-endimento, rumaram para a localidade de Tinguá. A noite apresentava-se magnifica, céu completamente estrelado, tempe-ralura fria, que são fatores primordiais para uma bôa caminhada. Depois de carregarem os lampeões e colocarem nos cintos os facões, tomaram rumo do velho caminho dos escravos, atim de alcançarem, ainda naquela noite, local para acamparem, " mais próximo possivel da base do pico almejado. A marcha loi longa, tendo os quatro montanhistas de atravessarem rios, pinguelas e muitas vêzes saltarem de pedra em pedra para enfrentarem a forte correnteza. A caminhada continuava até que numa curva da picada, numa pequena clareira coberta com mato rastei-ro, a barraca foi armada e algum alimento preparado alim de que fossem restabelecidas as energias consu-midas. A noite passou rápida, e logo pela manha depois do calé matinal, a longa caminhada foi reiniciada alé o ponto marcado para iniciar a picada. Entrentando todas as dificuldades que se apresentam numa mata vir-gem, os montanhistas pouco a pouco iam avançando, abrindo a picada no seio da mata, até que, depois de romperem um longo taquaral, começaram a descida em direção do vérlice do gigantesco "V" formado pelo Pico Grande de Tinguá e o Pico do Diabo. A subida naquele trecho, que é bastante ingreme, foi aos poucos sendo vencida até o local, em que lance por lance atingiram a chaminé chave da escalada final e as passagens perigosas sôbre o penhasco que aos poucos foram sendo vencidas. Quasi no cume, uma gruta foi en-contrada, sendo batizada de "Gruta do Inferno". - As 12,10 hs. do dia 5 de Maio de 1946, a valorosa turma lagartixa alcançavam o cume do Pico de Diabo, hasteando no alto da montanha o nosso querido pavilhão.
Observações
Foi reaberto a trilha com autorização do ICMBIO em 2025 e revisitado em 2026. Atenção na REBIO Tinguá não é permitido a entrada sem autorização. PICO DO DIABO Data: 12 de julho de 2026
Localização: Tinguá - Nova Iguaçu - Reserva Biológica do Tinguá - RJ Pico do Diabo - Coordenadas: 23 K 655760 / 7501785 e altitude: 1.367 m.
Participantes: Cláudia Bessa (guia) Filipe Alvarenga (CEB / UNICERJ) Glayson Fontoura (monitor do CEB/ICMBIO) "Arafat" Jeremias Freitas (monitor) José de Alencar (guia)
Mulheres: 1 Homens: 4
Distância total: 5 km Subida total: 583 m Descida total: 576 m Tempo transcorrido: 6:16
- Horários: Saída da Estrada do Comércio à esquerda e entrada na trilha: 8:25. Coordenadas: 23 K 657266 7502729 e altitude: 828 m. Saída da trilha principal (Pico do Tinguá) à direita para o Pico do Diabo : 8:47. Riacho: 9:21. Altitude: 1.001 m. Parada: 10:10 / 10:20. Lance de corda de 4 m a 5 m (chaminé): 11:00. Lance de fitas 2 m (chaminé curta): 11:16. Lance com estribo: 11:25. Pedra mirante: 11:37. Chaminé que pode ser feita pelo mato: 11:44. Pico do Diabo: 12:07 / 12:39. Coordenadas: 23 K 655760 / 7501785 e altitude: 1.367 m. Chaminé que pode ser feita pelo mato: 12:45. Pedra Mirante: 12:54. Lance com estribo: 13:00. Chaminé de 4 m a 5m:13:18. Riacho: 13:55. Junção com a trilha principal (Pico do Tinguá): 14:12. Chegada a Estrada do Comércio: 14:36.
Comentários: Com exceção do Filipe que chegara por volta das 7 h os demais dormiram na casa dos pesquisadores da REBIO Tinguá. A casa possui cozinha, máquina de lavar e secar roupas, quartos coletivos equipados e quatro banheiros. É bem estruturada. Embora tivesse quase um ano em que estivemos aqui a trilha encontrava-se muito boa. Arafat foi sinalizando com fitas. Os demais foram arrematando e deixando o caminho bem limpo. A mata por ser madura é aberta e ampla. Sendo muito frequentada por bichos que também formam trilhas. Por isso há uma certa dificuldade em identificar o nosso caminho dos deles. Até porque eles aproveitam o que abrimos. Encontramos pegadas e até fezes frescas de queixada. Houve uma ventania forte nos últimos dias que derrubou árvores na Estrada do Comércio e na nossa trilha também. Após a mata aberta o caminho vai convergindo para um grotão constituído de enormes pedras. A inclinação vai acentuando e os obstáculos vão surgindo. Começam os lances de corda, fitas longas e estribo. Na primeira chaminé há necessidade em dar segurança de cima. O grupo fluiu tão bem que logo chegamos ao cume. Na volta passamos no mirante para fotografarmos. As montanhas de Petrópolis ganham novo ângulo. Destacamos a beleza da flora na parte alta. Agradecemos imensamente a gerente Gisele e o ICMBIO por essa oportunidade de desfrutarmos desse lugar tão especial.
