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ConquistasCentro Excursionista Brasileiro

Sobre

Como ler este acervo

Este é o acervo de conquistas do Centro Excursionista Brasileiro: escaladas e caminhadas, cada uma com ficha técnica, croqui e tracklog.

A graduação de uma via

Escaladas seguem o Sistema Brasileiro de Graduação de Escaladas, na norma oficial publicada pela CBME (Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada). A graduação é uma fórmula lida sempre na mesma ordem, e a ordem faz parte da notação:

VIIb A2(3) C E4 D5

Grau geralordinal arábico, obrigatório
VIIb
Grau do cruxromano, obrigatório
A2(3)
Artificiale, entre parênteses, o nº de pontos de apoio
C
Cabo de açoquando existe trecho em cabo
E4
Exposiçãoopcional
D5
Duraçãoopcional, vem por último

Na prática a maioria das vias só usa dois termos: o grau geral e o crux. Vias de uma enfiada, falésias e boulders dispensam o grau geral e ficam só com o crux — VIsup é uma graduação completa. Um travessão na ficha significa que aquele eixo não foi registrado, o que é diferente de não se aplicar.

Quando o crux pode ser vencido em artificial, o grau que resta obrigatório em livre toma o lugar dele e o crux real vai entre parênteses: 3º IVsup (A0/VI) se lê “via de 3º grau cujo crux é VI, mas cujo crux obrigatório é IVsup”.

Grau de duração (D)

Tempo de subida numa repetição à vista, por cordada com prática no grau. Não conta o retorno.

D1
Poucas horas de escalada
D2
Meio dia de escalada
D3
Um dia quase inteiro de escalada
D4
Um longo dia de escalada
D5
Requer uma noite na parede; cordadas muito velozes repetem em um dia
D6
Dois dias inteiros ou mais, normalmente com longos trechos de artificial
D7
Expedição a local remoto, com longa aproximação e muitos dias de escalada

Exposição (E)

O comprometimento psicológico: distância e qualidade das proteções, e o risco em caso de queda.

E1
Vias bem protegidasColoridos, Urca/RJ · Anhangava/PR
E2
Vias com proteção regularMorro da Babilônia, Urca/RJ
E3
Proteção regular com trechos perigososSerra dos Órgãos/RJ · Pedra do Baú/SP
E4
Vias perigosas em caso de quedaalgumas vias de Salinas/RJ e Marumbi/PR
E5
Vias muito perigosas em caso de quedaalgumas vias de Salinas/RJ e Cinco Pontões/ES

Artificial (A)

Quando a progressão depende dos pontos, não da rocha. O grau é o da enfiada mais difícil.

A0
Pontos sólidos isolados ou em curta sequência, com pouca exposição; pêndulos; uso da proteção para equilíbrio ou descanso
A1
Peças fixas ou colocações sólidas de material móvel, todas fáceis e seguras, em sequência razoavelmente longa
A2
Colocações geralmente sólidas, porém mais difíceis; alguma pode falhar, mas fica logo acima de uma boa peça. Sem quedas perigosas
A2+
Como A2, com mais colocações ruins acima de uma boa. Queda potencial de 6 a 9 metros, sem atingir platôs
A3
Artificial difícil: várias colocações frágeis em sequência e poucas proteções sólidas. Queda de até 15 metros. Horas para guiar uma enfiada
A3+
Como A3, com maior potencial de quedas perigosas. Costuma levar mais de três horas por enfiada mesmo para quem tem experiência
A4
Escalada muito perigosa. Quedas de 18 a 30 metros, com risco de atingir platôs ou lacas. Peças que só aguentam o peso do corpo
A4+
Como A4, com várias horas por enfiada. Cada movimento é calculado para não arrancar a peça. Longos períodos de pressão psicológica
A5
O extremo técnico e psicológico: nenhuma peça da enfiada segura mais que o peso do corpo. Sem proteção fixa nem buraco de cliff
A5+
Como A5, com as paradas também não sólidas — qualquer queda é fatal para a cordada. Nenhuma via conhecida recebeu esta graduação

Proteção

Anotação do próprio catálogo do CEB, fora da norma da CBME. Não entra na fórmula.

Fixa
Grampos e chapeletas já instalados na rocha
Móvel
Proteção removível, colocada e retirada pela cordada
Mista
Trechos com proteção fixa e trechos com móvel

Grau geral — a dificuldade da via inteira

Média das dificuldades técnicas, ajustada por distância entre proteções, periculosidade das quedas, exigência física, qualidade da rocha e possibilidade de abandono. Pode ser maior que o grau do crux.

  • 10º

Grau do crux — o lance mais difícil, em livre e guiando à vista

Subdivisão “sup” até VIsup; de VIIa em diante, “a, b, c”.

  • I
  • Isup
  • II
  • IIsup
  • III
  • IIIsup
  • IV
  • IVsup
  • V
  • Vsup
  • VI
  • VIsup
  • VIIa
  • VIIb
  • VIIc
  • VIIIa
  • VIIIb
  • VIIIc
  • IXa
  • IXb
  • IXc

A classificação de uma caminhada

Caminhadas seguem a Metodologia de Classificação de Trilhas da FEEMERJ. Não é uma fórmula: são quatro parâmetros independentes. O primeiro, chamado Classificação Básica, mede o esforço para percorrer, não o nível técnico.

Uma trilha entra num nível quando a maioria das suas características bate com ele — a norma diz explicitamente que raramente todas batem. Uma característica muito acentuada do nível de cima puxa a trilha para lá; do nível de baixo, puxa para baixo. Extensão e desnível contam o caminho total, ida e volta inclusive.

Havendo lance de escalada ou passagem de cabo de aço, a norma exige declarar o trecho técnico junto com a classificação — é assim que se lê Pesada · lance IV.

Classificação básica — esforço físico

Leve
Até 1 h · até 3 km · até 200 m (+) e até 400 m (−) · poucos e simples obstáculos · piso regularMorro da Urca, Morro Archer, Mirante da Catacumba
Leve superior
De 1 a 2 h · até 6 km · 200–400 m (+) e 400–600 m (−) · pequenos obstáculos · piso ligeiramente irregularPedra do Conde, Pedra Bonita
Moderada
De 2 a 4 h · até 12 km · 400–600 m (+) e 600–800 m (−) · com obstáculos · piso irregularPedra da Mãe D’Água, Pico do Alcobaça
Moderada superior
De 4 a 6 h · até 18 km · 600–800 m (+) e 800–1200 m (−) · muitos obstáculos · piso irregular, com trechos em que é preciso usar as mãosPedra da Gávea
Pesada
De 6 a 8 h · até 24 km · 800–1200 m (+) e 1200–2000 m (−) · muitos ou grandes obstáculos · piso irregular, com trechos em que é preciso usar as mãosCastelos do Açu, Cabeça de Peixe, Corcovado de Friburgo
Pesada superior
De 8 a 12 h · até 36 km · 1200–2000 m (+) e 2000–2600 m (−) · muitos ou grandes obstáculos · piso irregular, com trechos em que é preciso usar as mãosTravessia Petrópolis x Teresópolis
Extra pesada
Mais de 12 h · a partir de 36 km · acima de 2000 m (+) e acima de 2600 m (−) · muitos ou grandes obstáculosTravessia Serra Fina
Longo curso
Vários dias e normalmente mais de 50 km, com logística complexa e características de expedição. Diz respeito ao comprimento, não à dificuldadeTranscarioca, Transmantiqueira, Caminhos da Serra do Mar

Exposição ao risco

Pesa a consequência caso o evento de risco aconteça, não a chance de acontecer. Toda trilha é no mínimo Pequeno.

Pequeno
Pequenas lesões, no máximo primeiros socorros ou tratamento médico menor. Probabilidade baixa de acidente grave
Moderado
Lesões médias, com tratamento médico. Probabilidade pequena de acidente grave
Severo
Probabilidade média de lesões de gravidade moderada a altaCostão do Pão de Açúcar
Crítico
Probabilidade alta de lesão grave ou morte caso o evento de risco aconteça

Orientação

O quanto é difícil manter-se orientado: sinalização, bifurcações, definição do leito, vegetação.

Fácil
Caminhos e cruzamentos bem definidos, com alguma sinalização e poucas bifurcações. Mesmo sem placa, o traçado não deixa dúvidaPico da Tijuca, Morro da Urca
Moderado
Pouca ou nenhuma sinalização, algumas bifurcações, leito ainda definido ou com poucos trechos mal marcadosPedra Rosilha, Morro Açu
Difícil
Sem sinalização, muitas bifurcações, trechos de mata fechada ou laje com traçado tênue. Exige mapa e bússola ou GPSTravessia Petrópolis x Teresópolis
Muito difícil
Traçado tênue ou inexistente, em mata. Em geral trilhas de exploração ou acesso a vias remotas. Exige navegação terrestrePedra dos Três Municípios

Insolação

Quanto do caminho fica sob sol descoberto.

Baixa
Até 33% do caminho com exposição ao sol
Média
De 33% a 66% do caminho com exposição ao sol
Alta
De 66% a 100% do caminho com exposição ao sol

Tipo de percurso

A nomenclatura da norma para a forma do tracklog.

Trilha
Ida e volta pelo mesmo caminho
Travessia
Início e fim em lugares distintos. Por convenção, um “x” minúsculo entre elesTravessia Petrópolis x Teresópolis
Circuito
Começa e termina no mesmo lugar, por caminhos diferentes

As normas

As tabelas acima seguem as normas da CBME (Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada) para escaladas e da FEEMERJ (Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro) para caminhadas. Os documentos de referência são públicos:

O Centro Excursionista Brasileiro

Fundado em 1º de novembro de 1919, o Centro Excursionista Brasileiro é o clube de montanhismo mais antigo em atividade no Brasil e um dos mais antigos da América do Sul. Criado por jovens apaixonados por natureza após uma memorável caminhada do Rio de Janeiro a Petrópolis, nasceu com a missão de unir pessoas para explorar montanhas, trilhas e paredes, sempre com espírito de aventura e amizade.

Ao longo de mais de um século, o CEB foi protagonista em conquistas históricas, abertura e manutenção de trilhas e vias de escalada, além de formar gerações de montanhistas. Seu símbolo, o icônico Dedo de Deus, representa a ligação eterna do clube com a montanha.

Mais do que esporte, o CEB é uma comunidade que valoriza a preservação ambiental, o voluntariado e a cultura montanhista, atuando em parcerias, projetos e ações que fortalecem o montanhismo no Brasil. Com tradição, conhecimento e paixão, o clube segue inspirando novas histórias e desafios.

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